Ananás

Nº DE ASSEMBLEIA: XVI

ANO DE 2013

O ananás foi introduzido nos Açores nos meados do séc. XIX, em especial na ilha de São Miguel, como planta ornamental. Com o decorrer dos anos passou a ser cultivado para consumo nas casas de famílias mais abastadas.

O seu cultivo começou por ser feito em vasos, sendo a produção em estufas iniciada mais tarde resultado das experiências de José Bensaude, considerado o primeiro cultivador do ananás açoriano.

A necessidade de encontrar um substituto para a laranja que se encontrava afetada por uma “doença”, a gomosa, foi a causa principal para a procura de um novo produto que preenchesse o vazio deixado por esse fruto no circuito comercial de exportação.

A primeira exportação de ananases data de 12 de novembro de 1864, para Londres, sendo que há reporte de em 1874 o número de unidades exportadas rondar as 17.000. A produção deste fruto em estufas localizava-se principalmente nas seguintes localidades: Fajã de Baixo, S. Roque, Vila Franca do Campo, Ribeira das Tainhas, Ponta Garça e Lagoa (zonas a sul da ilha). Já no ano de 1913 a exportação encontrava-se alargada a países como Alemanha e Rússia e o número de unidades exportada rondava os 2.000.000 de ananases.

Durante a I Guerra Mundial, esta situação alterou-se drasticamente devido ao fechamento dos principais mercados de exportação, voltando a normalizar depois de acabada a guerra. O decréscimo das exportações verificado voltou a verificar-se por ocasião da II Guerra Mundial.

Na década de 50 do século XX estabeleceram-se trocas comerciais com novos países: Suécia, Marrocos e Irlanda, mas sem grande sucesso.

A produção do ananás desde a toca até ao fruto pronto a colher leva cerca de dois anos, sendo feita em estufas de vidro e utilizando técnicas de cultivo tradicionais: aplicação de fumos e utilização de camas quentes cuja base é matéria vegetal. São estas técnicas que trazem ao ananás açoriano qualidades ímpares de aroma e sabor. Refere-se a título de exemplo as palavras escritas por António Feliciano de Castilho num artigo datado de 1948 e publicado no jornal “O Agricultor Micalense”:

– “Hino perfumado da terra ao seu criador…, … tem o diadema porque o não pode engeitar…, … tem seduções, que atraem, porque lhas dêo, quem dá tudo… esses se não igualarem os da América pouquíssimo àquem lhes ficarão… “

Fruto da necessidade de criar um organismo que estivesse mais próximo do produtor deste fruto, constituiu-se a Profrutos a 2 de maio de 1972.

A Profrutos tem como missão: promover o “Ananás dos Açores” nos mercados locais, regionais, nacionais e internacionais e como visão: que o “Ananás dos Açores” seja reconhecido e apreciado pelo consumidor, quer enquanto alimento com propriedades medicinais reconhecidas quer enquanto produto de referência dos Açores.

A Profrutos apresenta como atividade principal a comercialização do “Ananás dos Açores”, detendo uma quota de mercado de cerca de 70% da produção total do mesmo. Para além da produção própria de ananás e produção de plantas que fornece aos seus associados, comercializa ainda materiais de reparação de estufas e presta uma inestimável assistência técnica aos produtores deste fruto.

A Profrutos conta atualmente com cerca de 270 associados e é o agrupamento gestor da DOP – Denominação de Origem Protegida Ananás dos Açores/ S. Miguel.